Em um de meus posts anteriores (link abaixo), destaquei a escassez estrutural de terrenos em São Paulo e como isso encareceu negociações e alongou prazos. Esse contexto ajuda a entender a nova dinâmica: a cidade começa a “produzir terrenos” via desafetação e alienação de trechos viários em pontos nobres. Funciona para montar sites escassos, desde que o projeto vença no mérito urbanístico e no procedimento jurídico.
O que está acontecendo
- A Prefeitura de São Paulo e a Câmara Municipal vêm avaliando e, em casos específicos, desafetando trechos de ruas para futura alienação, com propostas que chegam a dezenas de milhões e conectadas a empreendimentos de alto padrão. Em Pinheiros, por exemplo, a Travessa Dr. Raymundo Gomes Carneiro foi levada a leilão com rito formal e documentação pública.
- O debate técnico gira em torno de venda direta x licitação, da comprovação do interesse público e da avaliação prévia do bem. Urbanistas e pesquisadores têm insistido que a justificativa não pode ser apenas a viabilidade econômica do projeto — é preciso demonstrar ganhos urbanísticos mensuráveis.
A falta de glebas contínuas levou o mercado a buscar soluções cirúrgicas: conversão de áreas públicas subutilizadas em ativos incorporáveis. Isso abre uma janela real para land assembly em boas localizações, mas eleva o patamar de conformidade e de relacionamento com o entorno.
Em resumo
Há uma janela concreta de montagem de terrenos via alienação de ruas. Mas só prospera quem entrega governança impecável: procedimento limpo, contrapartidas urbanísticas reais e contratos que antecipem o contencioso. Caso contrário, o preço de aquisição da rua vira apenas a primeira parcela do risco.
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